Ombrelo

A cultura e história do funk no Brasil

O batidão que ecoa pelas ruas

Mesmo sem você querer, você ouve funk. Mesmo sem saber, você pode estar cantando funk. O ritmo é assim: se espalha, multiplica, contagia.

Desde 2008, o deputado Chico Alencar, do Rio de Janeiro, já tinha formulado um projeto de lei que determinava o funk como forma de manifestação cultural e popular digna do cuidado e proteção do Poder Público.

Já em 2013, a Comissão de Cultura aprovou o projeto do deputado e foi para análise da Comissão e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Em maio desse ano, a Comissão reconheceu e aprovou o funk como manifestação cultural popular digna do cuidado e proteção do Poder Público. O texto assegura aos artistas do ritmo o respeito aos seus direitos, e ao movimento funk a livre realização de suas atividades e de manifestações como festas, bailes e reuniões.

 

Mas isso nem sempre foi assim.

O estilo musical nasceu nos Estados Unidos, como uma junção de ritmos como R&B, rock, soul e a música psicodélica, no final dos anos 60.

Tudo começo com Horace Silver, na década de 60, um pianista norte-americano que é considerado por muitos como o pai do funk. Ele uniu o jazz ao estilo soul e espalhou a expressão “funk style”. Mas nessa época, o funk ainda não tinha o swing, que é a maior característica do estilo. James Brown tornou o ritmo dançante e ganhou o mundo.

 

Vinda para o Brasil

O estilo soul veio para o Brasil. Gerson King Combo, Tim Maia, Carlos Dafé e Tony Tornado espalharam o estilo musical e também o Black Power, o que acabou fundando o movimento Black Rio. A musa da época era Lady Zu.

 

Já nos anos 70, surgiram duas equipes de som, no Rio de Janeiro: A Soul Grand Prix e a Furacão 2000. Os grupos organizavam bailes dançantes, que eram feitos com vitrolas. Aos poucos, os equipamentos foram melhorando.

 

O funk carioca – nascimento

Na década de 80, o som dos bailes virou eletrônico ao acompanhar o aparecimento dos sintetizadores do funk, soul americano e do hip hop. Foi dessa batida que nasceu a influência chave: a batida usada por Afrika Bambaataa no hit “Planet Rock”, gerada pela bateria eletrônica Roland TR-808.

https://www.youtube.com/watch?v=O0b9TUw4J3Q

 

Essa batida também influenciou a crianção do ritmo americano “Miami Bass”. O estilo tinha músicas mais erotizadas e eram mais rápidos. Os especialistas em música dizem que o funk não pode ser chamado assim, pois é uma derivação do Miami Bass.

Funk carioca – espalhado pelo Brasil

Em 1986, o famoso DJ Marlboro, que já era conhecido dos bailes, ganhou de presente uma bateria eletrônica. Logo depois, ele começou a gravar alguns dos primeiros funks brasileiros. Entre eles estava “Melô da mulher feia”, de 1989, que era baseado em uma versão do Live Crew.

DJ Marlboro se tornou fixo no programa da Xuxa, em 1994 e virou onda. Já no Carnaval de 1997, a escola de samba Viradouro inseriu uma paradinha estilo funk em seu samba-enredo, que foi campeão.

 

Iniciando os anos 90, o funk carioca já retratava a rotina dos ouvintes: violência e pobreza nas favelas. Mas Claudinho e Bochecha, por exemplo, estavam indo para um lado mais romântico: o chamado “funk melody”.

Junto com Claudinho e Bochecha estava a dupla MC Cidinho e Doca com o famoso e quase eterno “Rap da Felicidade”. Assim de nome você não deve lembrar, mas quando toca, todo mundo sabe, pelo menos o começo.

Por volta dos anos 2000, o funk já estava mais dançante e com letras mais sensuais. Muitas pessoas chamam essa fase de “new funk”. A Furacão 2000 continuou como uma das principais equipes de som e produtoras do mercado.

Já fora do Brasil, quem expandiu o gênero, na época, foi a cantora inglesa M.I.A., que teve a música produzida por Diplo.

 

Depois disso, surgiram os bondes. O primeiro foi o Bonde do Tigrão, que marcou muita gente com suas músicas.

 

Hoje, o canal Kondzilla é o maior canal do YouTube do Brasil, com mais de 37 milhões de inscritos.

 

E não é só um universo de homens. Hoje, as mulheres estão em alta no funk, como Anitta, Valeska e Ludmilla. Elas falam sobre todos os assuntos em suas músicas. A Anitta, por exemplo, hoje também está com carreira internacional, sempre mesclando o estilo funk a outros ritmos e também línguas.

 

Aliás, Ludmilla vai estar em Juiz de Fora, no próximo sábado, 11, no Capitólio. 

 

Hoje, o funk une, faz dançar, lota espaços para shows e pode falar de todos os assuntos. E sim, o funk se espalhou como ninguém imaginou. Ele é um sucesso.

 

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