Uma crônica de amor e perdas.
Meu mundo desabou. Ela se foi. Sem explicações, avisos ou desculpas. Apenas tinha ido embora. No início senti uma raiva descompensada, e minha vontade era de matar (ou morrer). Por mais estável que estivesse nossa relação, já havíamos enfrentado problemas. Em algumas oportunidades ficamos dias sem o mínimo de contato. Em outras, devido à saudade que me consumia, apenas alguns minutos. O importante é que ela sempre voltava. Mas agora já se passaram duas semanas. Liguei, tentei resolver o problema, mas parecia não ter jeito. Parecia um caminho sem volta.
Fui forçado a conversar com pessoas às quais nem sabia da existência, ou melhor, nunca havia reparado, pois ela não me permitia. Ocupava-me o tempo todo. Em alguns aspectos esse abandono foi bom, pois pude voltar a exercer atividades que não fazia há um bom tempo, como a leitura e encontros com amigos em bares e restaurantes. Sentia muita falta dela durante os momentos de estudo e trabalho, afinal, ela sempre me ajudou e me distraiu quando estive sozinho e perdido. Contudo, também aprendi a superar estas dificuldades.
Agora tudo estava diferente. Após o ódio, a tristeza e o desapego, eu já conseguia enxergar o mundo com outros olhos. Ou simplesmente conseguia enxergar o mundo. Aquele mundo que ela havia escondido de mim. Por muito tempo. Tive a sensação de estar “curado” da ressaca pós-perda. Até o dia em que ela voltou.
Sem mais nem menos ela estava lá novamente, como se nada tivesse acontecido. Depois de pouco mais de um mês. Era inacreditável. E agora, como ficaria minha vida? O que deveria fazer? Voltar pra ela ou priorizar o mundo que presenciei neste período “livre”? A escolha era complicada, afinal, sempre fui fissurado por ela.
Tentei resistir, mas não aguentei. Cedi e voltei a conviver com ela diariamente, o tempo inteiro. Escolha errada? Não posso afirmar. Só sei que ela sabe persuadir e controlar muito bem as pessoas. E digo mais, estou nas mãos dela. Mas não estou sozinho. Muitos estão assim como eu. Maldita seja ela, a internet.