Ombrelo

Juiz de Fora e suas lendas urbanas

 

Se você é de Juiz de Fora, ou mora na cidade há muito tempo, tenho certeza que alguma dessas lendas você deve conhecer ou lembrar de alguém da família contando.

Foto: Reprodução / Arquivo H. Ferreira

Cercada por lendas, a cidade guarda muitos casos que dão medo nos moradores, visitantes e nos ouvintes das histórias. Separamos algumas lendas de Juiz de Fora. Estão preparados?

 

Nome da Cidade 

A primeira lenda já começa com o nome da cidade. A versão que todo mundo conhece é que o nome seja uma referência a um juiz de fora, nomeado pela Coroa Portuguesa para atuar onde não havia juiz de direito. Ele hospedou-se por pouco tempo em uma fazenda da região, passando esta a ser conhecida como a Sesmaria do Juiz de Fora. Vai lá se saber se é isso mesmo?!

 

O Capa Preta 

Na década de 1970, os moradores de Juiz de Fora teriam sido aterrorizados por um homem misterioso que andava pela cidade coberto com uma capa preta. Como se isso já não fosse estranho o bastante, algumas pessoas afirmaram que foram atacadas por esse ser.

A população, claro, entrou em pânico. Grupos de habitantes se formaram para caçar o tal “capa preta” – o resultado de fazer justiça com as próprias mãos foi desastroso: pessoas que não tinham nada a ver com a história (como um padre, confundido por causa de sua batina) foram castigadas. Até mesmo o Exército tentou resolver o mistério.

Mas o caso pareceu se resolver sozinho, pondo um fim à histeria: na beira do rio que corta a cidade, foram encontrados uma capa e um bilhete de despedida do suspeito, que dizia ser mal compreendido pela sociedade.

Seria o Zorro?

 

Noiva do Privilége

Reza a lenda, que um casal de noivos, estava descendo a ladeira, para ir para a sua lua-de-mel. A porta do carona abriu e a noiva saiu rolando pela ladeira abaixo, onde hoje é o Privilège. O que contam por aí, é que a mulher conseguiu convencer o noivo a construir o Privilége no local e seu espírito fica rodeando as mediações da casa. Aproveitando todo esse mistério, o Privilège fez uma festa, em 2010, com o tema: “A Festa da Noiva”, e as dançarinas vestiam camisolas e usavam perucas para representar o fantasma.

Imagina você na festinha e dá de cara com ela?

 

Museu Mariano Procópio

Muitas lendas cercam o Museu Mariano Procópio. Uma dessas histórias veio de uma estudante que relatou aos seguranças do Museu ter visto um casal e uma criança, todos em trajes de época, andando pelos caminhos no jardim. Já em 2003, os restauradores que estavam trabalhando no interior da casa, disseram que ouviram barulho de festa, quando foram checar o cômodo, ele estava vazio.

Já um vigia do Museu, durante uma ronda, contou que viu uma mulher vestida noiva, andando tranquila, perto da gruta no parque por volta da meia noite.

Em 2013, o escritor Laurentino Gomes, relatou em seu blog pessoal, um episódio estranho durante a visita ao Museu para escrever o livro “1889”. “Fui surpreendido pelas badaladas suaves e cadenciadas de um relógio antigo, que parecia marcar as horas de outro mundo e de outro tempo. O diretor do Museu, Douglas Fasolato, e alguns integrantes de sua equipe, que me acompanhavam na visita, se entreolharam espantados. Antes que eu perguntasse a razão, Douglas explicou. ‘Esse relógio está parado! Há anos que ninguém lhe dá cordas…’ Foi o que bastou para que apressássemos o passo em direção ao aposento vizinho, mais movimentado e exposto à luz do sol”, contou o escritor.

 

Morro da Boiada

Essa história é contada por um antigo morador de Juiz de Fora. “Lá no Morro da Boiada, onde era antigamente o arraial de Santo Antônio, que existia antes de se fundar Juiz de Fora, havia uma capelinha do santo e um cemitério. Quando a população do Morro desprezou o local e veio cá pra vargem, onde está agora a cidade, trouxeram em procissão a imagem para o oratório do vigário, mas, qual! a imagem voltou para a sua capelinha.

Tornaram a trazer o santo, mas ele tornou a voltar. Era mesmo uma teima sem remédio. Santo Antônio da Boiada era milagroso deveras, e o povo tinha com ele muita devoção! Valha-me, Santo Antônio da Boiada! e estava logo tudo arranjado, desde que fosse para bem, que para mal não há santo que ajude. O Morro da Boiada de primeiro era também habitado por uma quadrilha de salteadores e ganhou uma fama de perigoso e assombrado.

Dizem que tem lá um china seco, que aparece fora de horas aos viajantes. Às vezes passam correndo bolas de fogo, galinhas de todas as cores, inté verdes, com seus pintinhos da mesma forma; topam-se fantasmas que vão crescendo, crescendo por essas alturas a riba, e cruzes de fogo, que aparecem e desaparecem não se sabe como. Ih! quem vai de noite no Morro da Boiada tem muito que ver e que contar”. (Extraída do livro Contos Populares Brasileiros, de Lindolfo Gomes, publicado pela Companhia Dias Cardoso, em 1918).

 

Você conhece alguma lenda de Juiz de Fora? 

 

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