Nascida em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, Olívia Aragão mudou-se para Juiz de Fora com poucos meses de vida. Mineira de coração, sempre amou utilizar roupas que ela mesma fazia ou customizava. As amigas elogiavam, e assim teve início uma carreira de sucesso.
Olívia cursou Comunicação Social, mas apesar de adorar o trabalho de repórter (muito por conta das experiências teatrais de sua vida), se encontrou nos bastidores das produções. Poucos meses antes de se formar, começou um curso de produção de moda e planejamento de coleção.
Após várias experiências, Olívia virou especialista em desenhar e confeccionar vestidos, tornando-se referência na área. E tudo isso ainda desempenhando um papel de mãe dos dois irmãos mais novos, que moram com a estilista até hoje.
Olívia Aragão é uma das personagens da campanha da Twenty Four Seven, veiculada aqui em Ombrelo e, também, na Rádio Cidade. A grife valoriza histórias e conquistas de sucesso de mulheres de Juiz de Fora. Leia, abaixo, uma entrevista com ela.
Como você decidiu que iria trabalhar como estilista?
Brinco que virei estilista por acaso! Poucos meses antes de me formar, na UFJF, fiz um curso de produção de moda e planejamento de coleção, na intensão de entender um pouquinho mais os processos que envolviam esse universo. Cogitava trabalhar com figurino ou em editorias de Moda em veículos de comunicação, e, naquele momento, novas experiências poderiam atrair novas oportunidades. O trabalho de conclusão do curso era o desenvolvimento de uma coleção, e para minha surpresa, o melhor da turma seria desenvolvido para um desfile na principal semana de moda da cidade na época, o Fashion Days. Fui a escolhida e minha vida mudou a partir daquele dia. Trabalhei três anos na Comunicação, com meu telefone tocando diariamente… “ Você que desenha e confecciona vestidos?”. Certo dia, por acaso, me deparei com a casa (que hoje é o Ateliê) pra alugar. Foi amor à primeira vista. Larguei meu emprego e resolvi me dedicar à moda.
Como você vê a situação da mulher hoje no Brasil?
Estamos quebrando essa barreira da mulher como sexo frágil ou com papel secundário na sociedade. A mulher ta dando voz aos seus ideias e lutando por pela igualdade de gênero. O mercado de trabalho tem aberto mais e mais possibilidades para as mulheres e estamos agarrando com” unhas e dentes” . E claro, isso reflete em outras relações… como as conjugais. Vejo isso claramente no meu trabalho. A média de idade das noivas que atendo é completamente diferente das noivas que casavam há alguns anos atrás. Hoje, elas buscam sua independência, seu sucesso profissional antes de construir uma família de fato.
Você se sente uma mulher emponderada? Por quê?
Ahh… posso dizer que sim! Isso porque acredito que tenho o maior e mais gratificante poder, que vem de dentro: força pra realizar e me dedicar com amor ao que eu escolhi pra mim! A conquista, a satisfação pessoal e o domínio da nossa vida comprova exatamente o que a gente é!
Como é servir de inspiração para outras mulheres?
Nossa… falar que sirvo de inspiração é uma responsabilidade imensa! Será? Tento levar a vida de uma forma muito leve… procuro sempre o lado bom das coisas! Sou muito energia… e talvez por isso tenha escolhido trabalhar com sonhos! Acho que esse é o melhor caminho pras coisas boas conspirarem a nosso favor…
Qual é seu grande medo e como você luta para superá-lo?
Pra falar a verdade, sou uma pessoa bem destemida, e isso me faz arriscar o tempo inteiro. A maior prova disso foi o “tiro no escuro” ao abrir o ateliê, com pouquíssima experiência na área. Tive que aprender “na marra”, de uma hora pra outra como produzir e cuidar do próprio negócio. E continuo aprendendo todos os dias. Talvez um medo seja esse… perder a capacidade de aprender.
Qual foi seu trabalho mais desafiador?
Com certeza o meu primeiro vestido de noiva. Eu nunca havia feito nada relacionado a festa, e uma amiga me pediu pra que o fizesse. Ela casaria em poucos meses e eu não sabia sequer a diferença entre tecidos , texturas ou aviamentos. Ela deixou nas minhas mãos, sem ao menos escolher os materiais que gostava. A vontade de surpreende lá era imensa… e consegui! Não esqueço a “carinha” dela ao ver o vestido pronto!
Como mulher, qual a maior dificuldade profissional que já enfrentou?
Sempre fui muito determinada nas minhas escolhas e focada no que realmente me realiza. Talvez por isso nunca tenha dado brecha pra situações que me causassem desconforto… Principalmente por ser mulher. Pego e faço, não espero muito as coisas caírem do céu e nem que ninguém faça por mim.
É fácil conciliar a vida pessoal com a vida profissional?
Sou muito agitada e muitas das vezes sinto que meu dia tinha que ter mais de 24 horas! De um tempo pra cá venho me policiando pra conciliar melhor essas duas tarefas! Não é fácil… me envolvo demais com minhas clientes e com o sonho que estamos dividindo, e quando vejo estou abrindo mão de coisas da minha vida pra me dedicar ainda mais a elas. Faço com tanto amor, que isso é natural…não é um sacrifício.
Qual foi o vestido mais inesquecível que você fez?
Cada vestido que faço tem uma história, pois são personalizados. Amo fazer o sob medida por poder entender o jeitinho e a identidade de cada noiva. Já fiz mais de 300 noivas e sou capaz de lembrar de todas elas!
Como é ser estilista no Brasil?
A moda brasileira é linda! Temos força e muita criatividade… e acredito que colocamos muito da nossa identidade nela. A moda mineira então, está cada dia mais reconhecida. Eu não me prendo a padrões e nem a tendências. Crio e desenvolvo aquilo que acredito, assim como levo a vida… sendo o que eu quero ser! Sempre aberta a transformações. Brinco que nem eu mesma me copio… adoro me reinventar todos os dias.