Data marca a morte de Zumbi dos Palmares
O Dia da Consciência Negra é comemorado em todo o território nacional. A data, 20 de novembro, marca a morte do líder negro Zumbi dos Palmares, que lutou contra a escravidão no período do Brasil Colonial. A data foi estabelecida no dia 9 de janeiro de 2003, mas somente em 2011 que a lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff.
Zumbi dos Palmares
Zumbi dos Palmares foi o líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas.O líder do Quilombo dedicou sua vida lutando contra a escravatura no período do Brasil Colonial. A população do Quilombo chegou a atingir cerca de 30 mil habitantes, enquanto Zumbi era líder. No local, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura e produziam o que precisavam para viver.
Debates em Juiz de Fora
Para marcar a data e fazer dela um momento de aprendizado e troca de experiências, a UFJF está realizando a Semana da Consciência Negra, que começou ontem e vai até o dia 30 de novembro.
O evento abriu inscrições para envio de propostas para serem debatidas. Ao todo, mais de 20 projetos foram aprovados com proposições de oficinas, minicursos, palestras, apresentações culturais, para o campus de Juiz de Fora e Governador Valadares.
O diretor de Ações Afirmativas da UFJF, Julvan Moreira de Oliveira, destacou o diferencial do evento. “A Semana foi organizada por dois coletivos convidados e isso possibilitou a participação de muitas pessoas de fora”, diz. Ele também explicou que, anteriormente, haviam outros eventos no campus, mas de forma isolada. Por isso havia coincidência de horários.
Com temáticas englobando educação, saúde e mercado de trabalho, a Semana da Consciência Negra reforça a luta do movimento negro e da população negra por igualdade de direitos. “O diálogo entre a população negra possibilita a criação de um mecanismo de permanência. A semana nos ajuda a reafirmar a importância que a universidade tem em garantir que esse espaço seja cada vez mais democrático, principalmente, para inclusão dos negros.”
Conversas em escolas
Além de levar o debate para as universidades, a participante da apresentação cultural Vanda Maria Ferreira, especialista em Literatura e Cultura Afro-Brasileira e também contadora de estórias, destaca a importância em abordar os contos e histórias africanas nas escolas. “As escolas públicas, em sua maioria, possuem cerca de 80 a 90% de alunos negros. Então quando eu utilizo da cultura da negritude, eu dou condições para que essa criança se enxergue, se veja, tenha consciência de que ela é protagonista de uma história, de que os seus ancestrais foram protagonistas da história da construção do Brasil, do povo brasileiro, da política, economia, cultura, literatura. É importante que elas saibam que o negro foi um dos pilares da construção da identidade do Brasil.
Vanda também mostra a importância da explicação do professor e que ele mostre a cultura e história dos negros no Brasil. “Eu acredito que o professor que não faz esse trabalho mutila o aluno, porque o jovem precisa ver que tem valor, que eles possuem uma história de luta, que começa quando os seus antepassados foram capturados, sequestrados em diversos países do continente africano e arrastados como escravos para o Brasil“, explica Vanda.
Apresentação na UFJF
Vanda estará presente na Semana da Consciência Negra da UFJF, no dia 27 de novembro, às 14h, na Galeria do IAD, com a apresentação cultural “Encontro com rainhas, princesas e guerreiras na E.M. Murilo Mendes”. A especialista conta que a apresentação terá fotos de princesas, rainhas e guerreiras negras. “Sabemos que ainda hoje, no continente africano há princesas, rainhas e reis e eu vou contar histórias que são voltadas para princesas rainhas, onde as meninas são protagonistas das histórias, onde as meninas podem se identificar como princesas, rainhas, da forma como elas quiserem“, explica.
Grupos e Coletivos
Também participando e organizando a Semana da Consciência Negra da UFJF, o Coletivo Negro Resistência Viva destaca a importância dos grupos na luta e busca por direitos. “Desde o século XX, aqui no Brasil, já existem grupos de debates e eles tocam em pontos sensíveis que muitas vezes a sociedade não se atenta. E é justamente para fazer a inserção do povo negro na sociedade que há muito tempo é segregado. Esses grupos mostram que é atual a questão racial, como da segregação, da hierarquização, da sociedade estruturada”, explica a integrante do Coletivo, Estela Gonçalves.
Ela ainda conta que é necessário sair do ambiente de faculdades. “Nossa luta precisa ser visível e acessível a todos, por isso tentamos sair do meio acadêmico e abranger outros setores da população negra, para elas saberem as violências que enfrentam ou não saibam“, destaca Estela.
Estela ainda conta que a Semana ou Dia da Consciência Negra precisa se estender além da data 20 de novembro. “A cada semana vemos notícias sobre mortes da juventude negra, assédio em mulheres negras, prisão de homem negro, e muitas vezes por motivos injustificáveis. Os debates são fundamentais, mas eles precisam se expandir em outros períodos do ano. Além disso, precisam entrar onde a população negra é mais atingida, que são nas periferias. Os debates precisam estar presentes no cotidiano do Brasileiro”, diz Estela.
Temas que merecem destaques
Milena Regina de Paula Silva, integrante do Coletivo Negro Resistência Viva e estudante do curso de Ciências Sociais na UFJF, destaca que os assuntos referentes às mulheres estão sendo mais comentados, porém existe uma defasagem quando o assunto são as mulheres negras. “As leis existem, como a Maria da Penha e leis contra assédio sexual ou verbal, mas muitas mulheres negras possuem dificuldade em fazer denúncias, e muitas não conhecem os direitos que possuem”, explica a estudante.
Vanda destaca que a violência contra a população negra é discutido, mas merece mais atenção. “A segurança do país enxerga os jovens negros como ameaças. A mortandade da população negra é maior entre os jovens. Além de violência, a questão de educação também precisa ser notada, pois nós temos 56% de negros no Brasil e a porcentagem deles no ensino superior é mínima“, destaca Vanda.
Já Milena, não pontua uma questão em si, mas destaca que ainda existe resistência em se discutir sobre direitos. “No Coletivo, por exemplo, temos dificuldade em levar debates para escolas, e muitas vezes enfrentamos a resistência dos pais, que não concordam em conversar sobre isso. Por isso, acredito que é devido a essa negligência, muitos negros e mulheres negras não conhecem os direitos que possuem
Confira alguns eventos da Semana da Consciência Negra da UFJF
21 de novembro
Palestra: O Negro Frente ao Acesso ao Mercado de Trabalho: considerações à luz do Ministério Público do Trabalho
Palestrante: Dra. Silvana da Silva;
Local: Anfiteatro da Faculdade de Serviço Social;
Horário: 14h
Mesa: Com Ciência Negra
Participam: Zélia Ludwig, Giovana Castro, Fernanda Ferreira e Diego Miranda e Adenilde Petrina.
Apresentação Cultural: Coletivo Vozes da Rua.
Local: Auditório da Cantina – Faculdade de Engenharia.
Horário: 18h
22 de novembro
Roda de Conversa: Autocuidado, ginecologia autônoma e resistência
Participam: Janaína Moraes.
Local: Anfiteatro 2 do ICH.
Horário: 17h
Mesa: Diálogo com mulheres negras: atuação política e transformação social
Participam: Jaciana Melquíades, Giovana Castro, Naiara Santos e Silva e Zélia Lúcia Lima
Local: Anfiteatro 2 do ICH;
Horário: 19h
A programação completa você encontra AQUI.
Mais informações sobre o evento: (32) 2102-6919 – Diretoria de Ações Afirmativas
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