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“Miss Brasil Gay”, cultura e diversidade para Juiz de Fora

Juiz de Fora faz parte da rede internacional do “Turismo Gay”

Em 1976, o cabeleireiro Francisco Mota, o “Chiquinho”, lançava em Juiz de Fora o primeiro concurso para escolha do mais belo transformista de Juiz de Fora. Desde então, são homens caracterizados como mulheres, representando todos os estados do Brasil e o Distrito Federal, esnobando luxo e glamour. Após 42 anos, o concurso é, hoje, “Patrimônio Imaterial” da cidade com data reservada no calendário municipal.

O “Miss Brasil Gay” trouxe para Juiz de Fora a irreverência e, ao mesmo tempo, o respeito e o despreconceito, transformando-se em evento muito esperado na cidade, tanto para os candidatos quanto para a população. Afinal, além da presença e participação de artistas reconhecidos nacionalmente e internacionalmente e o incremento da economia local, o concurso tem o objetivo de ser instrumento de luta pelos direitos dos homossexuais no Brasil, além de revelar a cidade como rota do turismo para o público LGBTTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) de todo o mundo.

Foto: (Reprodução / Miss Brasil Gay)

O concurso em Juiz de Fora, paralisado por quatro anos diante da crise financeira enfrentada pelos organizadores, voltou em 2017 com força total. E nesse retorno, consagrou o arquiteto e urbanista Rodrigo Kolton, ou Guiga Barbieri, 35 anos. Nascido no Rio Grande do Sul, mas representante do estado de Minas Gerais, ele começou sua trajetória de transformista ainda na época em que cursava a universidade no sul do país, com raras aparições. Depois de formado, vivendo em São Paulo, Rodrigo começou a se profissionalizar. “Os amigos já me viam com um biótipo bom para a arte do transformismo, e tudo começou a acontecer gradativamente”, conta.

Rodrigo conta como foi enfrentar a situação: “Meu maior desafio foi dizer para a minha família, que, creio, já sabia. Mas precisava falar e desabafar, já que tinha vergonha de sair na rua e de ser apontado como gay. Assim, chamei minha mãe e conversamos abertamente, como fazemos até hoje. Na ocasião, meus pais procuraram ajuda de um psicólogo, que nos ajudou, e muito: eu, a entender o que acontecia comigo, e minha família, como lidar com a situação dentro de casa. Tive sempre o apoio e nunca enfrentei qualquer tipo de preconceito. Lógico que bulling, às vezes, acontecia, mas quando se tem postura, respeito e dignidade, o preconceito é ultrapassado”.

 

Participações no Miss Brasil Gay

Em 2007, Rodrigo, mesmo sendo gaúcho de sangue, concorreu no Miss Brasil Gay representando o arquipélago de Fernando de Noronha, em sua primeira experiência no concurso. Depois disso, voltou às passarelas em 2008, como candidata do Rio Grande do Sul, e em 2014, quando foi coroada Miss Minas Gerais. “Falar de Minas Gerais é sempre uma satisfação, pois foi o estado que mais acreditou em mim e me deu força para alcançar o sonho de ser Miss Brasil Gay. Quando aceitei o convite para participar do estadual em Belo Horizonte, logicamente fui muito apreensiva pelo fato de não ser mineira, mas após minha vitória, fui abraçada e, de maneira muito carinhosa, comecei a defender este estado com dedicação e todo coração. Sabia da minha responsabilidade em ser a representante do estado em que acontece o maior concurso de beleza gay do país, e isso exigia muito da minha dedicação e esforço”, diz Guiga.

Coroada e se preparando para ser a representante de Minas no Miss Brasil Gay JF, Guiga viveu um período de agonia, quando soube que não haveria mais o concurso naquele ano. “Na realidade, foram três anos de angústia, em que eu esperava para concorrer e o concurso não acontecia”, conta.

Fotos: Guiga Barbieri

 

A volta do concurso

Em 2017, o concurso voltou a acontecer em Juiz de Fora com força total e, em uma edição de sucesso e saudade, teve como vencedora Guiga Barbieri. “Sempre quis ser a Miss Brasil Gay do concurso de Juiz de Fora, não só por ser considerada um ícone de beleza, que isso é subjetivo, mas pelo o que ele significa para a nossa classe LGBTI. É um concurso que tem praticamente 40 anos de história, de resistência e de luta pelos nossos direitos. Hoje tenho orgulho de dizer que sou a Miss Brasil Gay Oficial graças ao apoio de Minas Gerais, minha família e meus amigos”.

Guiga é aquariana. Segundo ela, “muito contemporânea” e com “gosto pela tecnologia”. Durante o concurso do ano passado, representou as belas cachoeiras de Minas em seu vestido típico. “Foi um dos momentos mais lindos e mágicos da minha vida. Até hoje escuto que a Guiga fez chover na passarela! E era isso que eu queria e consegui. Foram a energia e o sentimento colocados no desfile dos trajes e a minha concentração que encantou a todos e me fez sair de lá com todos os prêmios da noite”.

 

Vida de Miss

A miss do renascimento do concurso em Juiz de Fora diz viver momentos mágicos e receber o carinho das pessoas. “Ser Miss Brasil Gay é um aprendizado constante. Foi um ano de mudanças e que aprendi muitas coisas, não só com as pessoas ao meu redor, mas também com as novas amizades que conquistei e com os lugares que visitei. Mas a maior mudança foi dentro de mim mesma. Aprendi a ter um autocontrole melhor das coisas e da vida, ser mais paciente e receptiva. Com certeza, essa experiência só agregou a minha vida e principalmente a minha história”, completa.

Fotos: Guiga Barbieri

Este ano o concurso será no dia 18 de agosto, no Terrazzo. Fique de olho na cobertura completa aqui em Ombrelo!

 

 

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