Conheça os maiores poetas brasileiros e suas obras mais famosas
Grandes nomes e muito talento
Os poetas também possuem um dia dedicado a eles. Dia 31 de Outubro foi escolhido para ser comemorado o Dia Nacional da Poesia, sendo, também a data de aniversário de Carlos Drummond de Andrade. Em 2015, foi sancionada a lei que estabeleceu a data, sendo inspirada no aniversário de um dos grandes nomes da poesia no Brasil.
Listamos os maiores poetas brasileiros e algumas de suas obras. Confira:
Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)
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Mineiro de Itabira, Drummond faz parte do modernismo e é considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX. Ele escreveu crônicas, contos e claro, poesias.
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.
Adélia Prado
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De Divinópolis para o Brasil. Adélia Prado também é mineira e está ligada ao Modernismo. Ela é poetisa, professora, filósofa e contista. Em 2014, Adélia foi condecorada pelo governo brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural.
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Manuel Bandeira (1886-1968)
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O pernambucano teve destaque na primeira fase do modernismo no Brasil. Além de poesia, escreveu também obras em prosa. Sua obra aborda temas do cotidiano e melancolia.
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
– Eu faço versos como quem morre.
Cecília Meireles (1901-1964)
Carioca, Cecília foi jornalista, pintora, poetisa e professora. Foi uma das primeiras mulheres a ter grande destaque na literatura e participou da segunda fase do modernismo no país. Como tema, Cecília usa o social, intimista e com forte influência da psicanálise.
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Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Manoel de Barros (1916-2014)
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Nascido no Mato Grosso, Manuel foi destaque da terceira fase do modernismo no Brasil, conhecida como “Geração de 45”. Ele focava assuntos como natureza e cotidiano. Manuel ganhou, em 1987, o prêmio Jabuti, um dos mais importantes do Brasil, com a obra “O guardador de águas”.
Os deslimites da palavra
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas
Cora Coralina (1889 – 1985)
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Pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, Cora Coralina nasceu em Goiânia. Além de poetisa, ela também escreveu contos. É considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras e teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965, “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”.
Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Caio Fernando Abreu (1948 – 1996)
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Conhecido pela juventude atual, Caio foi jornalista, dramaturgo e escritor. Em sua obra, Caio aborda sexo, medo, morte e solidão. Ele possui uma visão dramática do mundo e é considerado um “fotógrafo da fragmentação contemporânea”.
Carta aos Pais
“São Paulo, 12 de agosto de 1987.
Querida mãe, querido pai,
Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.
Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.
Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.
Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.
Amo vocês, seu filho,
Caio”
Helena Kolody (1912 – 2004)
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Nascida em Curitiba, Helena se tornou uma das poetisas mais importantes do Paraná. Ela praticava, principalmente, o haicai, que é uma forma poética de origem japonesa, que tem como característica a concisão (dizer o máximo com o mínimo). Foi a primeira mulher a publicar haicais no Brasil, em 1941 e em 1993 foi homenageada pela comunidade nipônica brasileira.
A Lágrima (trecho)
Oh! Lágrima cristalina
tão salgada e pequenina.
Quanta dor tu não redimes!
Mesmo feita de amargura,
és tão sublime, tão pura,
que só virtudes exprimes.
Mário Quintana (1906 – 1994)
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Além de poeta, ele foi jornalista e tradutor. O gaúcho é conhecido por ser o “poeta das coisas simples”, abordando amor, tempo e natureza. É considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX e teve destaque na segunda fase do modernismo no Brasil.
Os Poemas
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…
Clarice Lispector (1920 – 1977)
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Nascida na Ucrânia, chegou ao Brasil em 1922. Romances, contos e ensaios são os fortes de Clarice, que é considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX. Cenas cotidianas simples e tramas psicológicas são comuns em suas obras.
O sonho
Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.
[vejatambem]