CRÍTICA: Com ótimo vilão, Vingadores: Guerra Infinita é o ápice do Universo Marvel

27 abr | 3 minutos de leitura

Ser nerd nunca foi tão bom!

Há dez anos a Marvel vem construindo um universo cinematográfico integrado e bem-sucedido, em público e crítica, e agora a empresa conseguiu chegar em seu ápice narrativo. Vingadores: Guerra Infinita foi lançado e já está mexendo com a cabeça dos fãs, seja pelas surpresas do roteiro ou pela expectativa do que irá acontecer na sequência, prevista para 2019.

Apesar de levar o nome do grupo de heróis mais famoso da Marvel, o filme é focado em Thanos, e feito para desenvolver o vilão. A busca do Titã pelas Joias do Infinito é implacável e repleta de momentos intensos, que se apoiam em bons diálogos e dramaticidades bem dosadas. O roteiro é completamente amarrado e coerente, tanto com os quadrinhos quanto com o universo desenvolvido nos outros 17 filmes da Marvel.

Vingadores: Guerra Infinita é um compilado de tudo que sempre esperamos do MCU: ação, drama, bons personagens, plot twists e possibilidades de resoluções. Thanos é um vilão mais filosófico do que sanguinário, ou seja, bem diferente de tudo que tínhamos visto. Como os vilões não representam os pontos mais fortes dos filmes anteriores, essa conduta do personagem (já existente nos quadrinhos) se apresenta como um fator extremamente positivo.

E o receio de que Vingadores: Guerra Infinita poderia ser confuso pelo excesso de heróis não virou realidade. Os núcleos são muito bem divididos, assim como o tempo de tela e as tarefas dos Vingadores, apesar de algumas inversões de papeis. Homem de Ferro e Capitão América continuam gerando gritos nas salas de cinema, mas do ponto de vista narrativo perderam espaço para Thor e Doutor Estranho, dois personagens que se destacam em Guerra Infinita pela força e racionalidade, respectivamente.

O Homem-Aranha de Tom Holland continua divertindo com uma jovialidade típica dos quadrinhos e muitas referências a outros filmes da Cultura Pop. Pantera Negra e o núcleo de Wakanda se mantém aguerridos e representativos, especialmente quando se juntam a personagens femininas  fortíssimas, como Viúva Negra e Feiticeira Escarlate (a cena de cumplicidade feminina é uma das empolgantes do filme).

Os Guardiões da Galáxia continuam peculiares, úteis e arrancando boas risadas, apesar de Peter Quill e Gamora serem dramaticamente testados como nunca. Hulk e Visão, por outro lado, decepcionam em alguns aspectos, mas as escolhas narrativas que levam a tais decepções podem ser compreendidas.

A Marvel também não decepcionou na parte técnica. O CGI de Vingadores: Guerra Infinita está ótimo, especialmente no que diz respeito ao visual de Thanos e dos novos planetas. A trilha sonora é discreta, mas cumpre seu papel, assim como a fotografia. Já a edição é espetacular, pois consegue dar um ritmo interessante à trama e, principalmente, às batalhas.

No geral, Vingadores: Guerra Infinita é uma das obras mais corajosas e bem construídas da Marvel. Acompanhar a jornada de Thanos é uma experiência gratificante para os fãs de quadrinhos e de cinema, apesar da melancolia existente em alguns momentos. Tudo está cada vez mais ligado no MCU, e vai ser difícil segurar a ansiedade para os próximos filmes, especialmente após a ótima cena pós-créditos.

Se você ainda não viu, corra para o cinema mais próximo e prepare-se para duas horas e meia bem dinâmicas e intensas ao lado de Thanos e dos Vingadores. Com tantas referências e tantos pontos positivos, é um filme que merece ser visto e revisto, pois ele comprova, mais do que nenhum outro: ser nerd nunca foi tão bom!

Nota: 9/10