Representatividade no cinema: essencial e lucrativa

13 mar | 3 minutos de leitura

Mulher-Maravilha e Pantera Negra mostraram a força das minorias

Durante anos a indústria cinematográfica utilizou o lucro como justificativa para a falta de representatividade em filmes blockbusters. Foram vários protestos, muitas indignações e inúmeras tentativas de boicote antes do cinema hollywoodiano entender a importância de se representar minorias em filmes feitos para grandes massas.

Após algumas tentativas pouco comprometidas, como a tímida participação da Viúva Negra em Vingadores, uma leva de filmes veio com tudo para mostrar a voz de quem sempre buscou heróis semelhantes a si e nunca teve. E ao contrário do que sempre foi pregado, tais obras foram sucesso de público e critica.

 

Mulher-Maravilha

No ano passado, Mulher-Maravilha foi a sensação das bilheterias e das redes sociais. Focado no emponderamento feminino e no protagonismo de uma heroína, o filme foi aclamado pelos críticos. Positivamente, os especialistas souberam destacar a importância representativa do longa-metragem, algo muito mais relevante do que a qualidade fílmica. Pelo menos no contexto atual.

Mulheres de todas as idades se sentiram representadas pela personagem de Gal Gadot, criando, finalmente, a consciência de que elas podem ser heroínas capazes de qualquer coisa, especialmente de combaterem atitudes machistas. O filme peca um pouco no final, ao relacionar a capacidade de superação da protagonista a um homem. Uma falha que não apaga os méritos da produção, que além de ter várias personagens femininas fortes, também foi dirigida por uma mulher: Patty Jenkins.

O sucesso representativo trouxe consequências. Mulher-Maravilha quebrou recordes de bilheteria, arrecadando 821 milhões de dólares mundialmente e 412 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos. A produção teve um orçamento de 149 milhões de dólares, ou seja, obteve um lucro absurdo. Para completar, várias crianças passaram a se fantasiar ainda mais de Mulher-Maravilha, comprovando a importância do filme da DC para as novas gerações.

 

Pantera Negra

Lançado no mês de fevereiro, Pantera Negra já é o maior fenômeno cinematográfico de 2018. E dificilmente será superado. A produção apresenta discursos importantes e, obviamente, uma representatividade negra inédita. Foram décadas de filmes estereotipando os negros de forma negativa ou vitimista. Ryan Coogler, diretor do filme, conseguiu se esquivar dos clichês e fez um longa de super-herói extremamente inclusivo e carregado de mensagens fortes e dignas de discussão.

Dos bastidores até a construção dos personagens, o filme da Marvel buscou formas de valorizar os negros, endeusando-os e enaltecendo as dificuldades que já passaram. Mas tudo de uma forma inovadora e emponderada. E o público soube valorizar.

Pantera Negra está entre as dez maiores arrecadações da história do cinema americano e já ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares nas bilheterias. O sucesso, contudo, foi muito maior do que a parte financeira. No Brasil, por exemplo, movimentos estudantis, líderes das comunidades negras e pessoas engajadas fizeram ações para levar aos cinemas crianças que se sentiriam representadas pelos personagens das telonas.

 

Conclusão

Apesar dos exaltados preconceituosos das redes sociais tentarem boicotar e criticar esses filmes, os cineastas, as distribuidoras e as produtoras agora já sabem: representatividade importa e dá lucro. Mulher-Maravilha e Pantera Negra são os grandes expoentes dessa geração que tem se acostumado a debater e defender questões que antes eram tratadas como tabus e/ou coisas naturais.

Entretanto, outros filmes recentes, como Extraordinário, Star Wars: Os Últimos Jedi, A Forma da Água, Corra! e Lady Bird, seguiram a mesma linha e mostraram que é possível representar a diversidade em filmes de grande porte. Tudo isso sem perder a qualidade narrativa e cinematográfica.

O cinema faz com que a gente admire personagens incríveis. Já a representatividade permite que todos possam se admirar ao se verem representados. Portanto, a junção entre ambos deve ser consolidada cada vez mais. Afinal, como é dito em Pantera Negra: “Nós temos de encontrar um jeito de cuidar uns dos outros, como se fossemos uma única tribo.”


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