“Um líder sabe e consegue realizar através de outros”, diz a designer de carreiras Flávia Gouvêa
Por Ombrelo
Há algumas décadas, a imagem de um chefe ou líder era a de um super-herói, capaz de salvar qualquer empresa com o superpoder de resolver tudo.
Algo que mudou completamente hoje.
No mundo empresarial atual, um bom líder é, idealmente, aquele que sabe agregar sua equipe, defendê-la e tirar o melhor de cada um de seus membros, além de também ser capaz de cumprir suas próprias tarefas.
Para entender melhor essa mudanças de perfil, a formação de líderes e as relações entre eles e seus subordinados, batemos um papo com Flávia Gouvêa. Ela é psicóloga, gestora de pessoas, designer de carreiras e proprietária da Populus Consultoria e do portal Chovendo Vagas.

O que é um líder?
De maneira geral, defino um líder como sendo um referencial. Alguém que seja capaz de orientar, estruturar e conduzir, sempre inspirando e envolvendo. Alguém que sabe e consegue realizar através de outros.
Quais são as principais características que um líder deve ter hoje?
Perspicácia, visão macro, capacidade de influenciar e originalidade.
E quais eram essas características antigamente?
Capacidade de controle, comando e domínio técnico.
O líder “centralizador” pode ser considerado ultrapassado? Por quê?
Não necessariamente ultrapassado. Mas, sem dúvidas, atualmente a necessidade de envolver as pessoas em objetivos a serem alcançados faz com que perfis centralizadores fiquem cada vez menos atuantes em cargos de liderança. Fazer através do outro é a grande competência de um líder. E isso é completamente inviável quando esse líder armazena tudo em sua cabeça e se sente capaz de fazer e controlar tudo por ele mesmo.
Um líder nasce obrigatoriamente líder ou pode ser moldado ao longo da vida?
As duas formas são possíveis e viáveis. Para ser um líder, é preciso entender o real sentido da liderança, que ultrapassa qualquer teoria e vai de encontro com aquilo que somos e acreditamos. Quem busca por conhecimento constante e está aberto a mudar, quebrar paradigmas e enxergar o novo se torna apto a desenvolver a liderança em qualquer tempo.
Acha que, no mundo atual, lideranças estão em falta?
Infelizmente sim. O motivo que leva a esse quadro está diretamente relacionado ao autoconhecimento. As pessoas têm buscado por fórmulas mágicas para se tornar um líder. E liderança vem do ser. Quanto mais longe e superficial for, mais distante da habilidade e da condição verdadeira de liderar estará.
Atualmente, a expressão “QI” (quem indica) é muito utilizada informalmente para se referir ao modo com que algumas pessoas chegam a cargos de liderança. Você acredita que a indicação e outros fatores estejam se sobrepondo ao “merecimento”?
Não podemos negar a existência do QI. Mas o grande “lance” não é chegar lá, mas se manter e gerar resultados reais. E se quem chegou foi apenas por QI, não conseguirá sustentar a posição por muito tempo. Por mais importante que seja esse “apadrinhamento”, as empresas, hoje, precisam gerar resultados reais, fundamentados e rápidos, para que possam continuar existindo. Por isso, o mérito será, cada vez mais, uma condição para o exercício da liderança. Quem chegou lá vai ter que fazer ao vivo!
Do seu ponto de vista, quais são os problemas mais frequentes que ocorrem em relações entre líderes e seus “subordinados”? E quais são suas causas?
O ponto mais importante é o autoconhecimento. As pessoas sabem cada vez menos quem são, e o que querem para sua vida. Isso se complica muito mais quando abordado na esfera do trabalho. Sem autoconhecimento não existe propósito. Não se sabe o que fazer. Os abismos vão se formando a partir desse ponto. Lideranças ocupando cargos e impondo ações, a partir de teorias aprendidas em livros ou em cursos. Do outro lado, liderados se sentindo explorados em suas atividades, por não serem envolvidos em nada e sem estímulo para o desenvolvimento. Um relação cada vez mais complexa, mas possível de equalizar. Bastando credibilidade e investimento em uma gestão de pessoas verdadeira e bem conduzida.