Crônica: Duelo de Titãs

20 nov | 2 minutos de leitura

– Chico, está tudo bem? Está com uma cara de Cão sem Dono.

– Não vem com essa Falamansa pra perto de mim!

– Que Ultraje é esse, Chico? Qual o motivo dessa agressão?

– Você sabe, Carla. Desde que roubaram o Capital Inicial da nossa empresa eu estou estressado. Aí, pra piorar, hoje rolou um Babado Novo envolvendo o José e você escondeu de mim. Odeio ser o último a saber das coisas…

– Calma, não precisa dar “Pitty”.

– Claro que precisa. Não sei controlar minha Ira.

– Te anima falar que comprei uma Roupa Nova pra você?

– Não. Parece que você está doida para comprar uma Sepultura pra mim, isso sim…

– Você sempre foi um dos seres mais Racionais que já conheci. Agora tá parecendo outra pessoa, totalmente sem Papas na Língua.

– Fica quieta, Carla. Estamos vivendo um momento difícil. Fui pego na Blitz outro dia, a poluição tem deixado nossa Cidade Negra e essa crise vai nos deixar mais pobres que Ratos de Porão.

– Relaxa, querido. Como diriam meus familiares da Bahia, deixa eu te dar um Cheiro de Amor para você ficar mais calmo.

“Beijo do casal”

– E aí, meu Cachorrão Grande, se acalmou?

– Sim. Esses “Novos beijos Baianos” sempre funcionam.

– Então vou te contar mais duas novidades: sabe aquele meu Biquini Cavadão?

– O que tem?

– Virou uma Calcinha Preta minúscula…

– Você consegue me deixar mais louco do que Tequila, Baby…

– Eu sei. Mas antes de continuarmos nos agarrando feito duas Velhas Virgens preciso te contar uma coisa. Já que gosta de saber novidades…

– O que foi dessa vez, minha Garota Safada? – questionou, sem dar muita importância.

– Os Los Hermanos voltaram a fazer show…

“Estarrecido, Chico se afastou”

– É sério? – perguntou, dando muita importância.

– Seríssimo.

– Então vamos nos mudar para Angra. A partir de agora será impossível conviver com essa Legião de fãs deles.

– Mas e a nossa empresa?

– Vamos carregar o que for possível e abandonar o que não der pra levar, igual camelô quando O Rappa chega.

– Chico, só que para abrirmos outra teríamos que mudar o nome.

– Sim, vamos chamar de Engenheiros do Hawaii. Angra, praia, surf, Hawaii, etc. Analogia básica, mas vai permitir que ninguém descubra que se trata da Casa Portátil Massiva 22.

– Mas nós vamos quando?

– Amanhã de manhã!! Precisamos de um Ponto de Equilíbrio que nos deixe imune a esses Rebeldes de barba.

– E saímos que horas?

– Onze e vinte.

– E o que devo levar?

– Roupas, acessórios, nossos Móveis Coloniais de Acaju e uns biscoitos Calypsos. Gosto muito deles e não sei vendem em Angra.

– Tá bom. Acho que não levarei muitas lingeries. Eu meio que Cansei de ser Sexy…

– Leve o que preferir.

– Tá bem.

– Ah, pega umas Mamonas Assassinas do terreiro também. Elas são estranhas, mas podem ser úteis.

– Verdade, elas têm um Tchan diferente.

“Chico paralisa, se lembra de algo e grita”

– Carla, pare!!!

– O que foi?

– Lembrei que precisamos levar um Dominó, sou viciado nisso.

– Onde ele está?

– No meu quarto. Siga em frente e olhe para o lado. Caso não encontre ali, pegue no Compasso, aquele armarinho que tem aqui perto de casa. Eles vendem Quatro por Um.

– E depois que achar ou comprar um novo eu coloco onde?

– Já bota na carreta de uma vez.

– Mas nós temos duas carretas: A tempestade e a furacão. Vamos viajar em qual delas?

– Você sabe. Tenho certeza que sabe.