Conheça a história de Kadu Carvalho, baterista juiz-forano que toca com Gabriel, O Pensador
Por Daniel Furlan
Músico de JF deu entrevista exclusiva para Ombrelo
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No dia 20 de setembro é comemorado o Dia do Baterista. Juiz de Fora conta com muitos profissionais talentosas nesse ramo, especialmente nas bandas da cidade. Contudo, alguns bateristas daqui já ganharam o Brasil e até o Mundo. É o caso de Kadu Carvalho. Ex-membro de vários grupos da cidade, ele é hoje o baterista de Gabriel, O Pensador, um dos maiores ícones do Rap Nacional.
Tivemos a oportunidade de bater um papo bem legal com o Kadu, e agora você confere a conversa na íntegra!
Para começar, queria que você falasse um pouco sobre a sua carreira como baterista.
Primeiramente queria agradecer ao Ombrelo pelo incentivo à cena e por propagar a arte que nasceu em uma cidade cheia de talentos. Esse é um grande papel, necessário e fundamental para todos nós! A música veio de berço, é muito além da minha paixão pela mesma. Lembro perfeitamente do meu primeiro show (aos 14 anos) com um projeto de música reggae, numa festa tradicional da cidade que acontecia no German Village , clássica e antiga casa de show. Um marco muito grande, principalmente por ter sido com uma banda de um gênero musical que até hoje faz parte de mim! Tenho 30 anos e já toquei com Muamba, Onze:20, Especial los Hermanos com integrantes originais da banda, Wash, Operação Tequila , entre outros
Como foi o início da relação com a bateria?
Toquei baixo, guitarra, teclado, e, por fim, bateria. A curiosidade era gigantesca. Euqueria aprender tudo em uma semana, mas não deu certo! A bateria veio mesmo aos 13 anos, mas a curiosidade ainda continuava. Além do hobby, da válvula de escape, era um grande motivo para eu sair de casa e não estudar.
Por que você escolheu a bateria como o seu instrumento?
Clichê, mas na verdade ela que me escolheu. A bateria é um instrumento muito enérgico, tem uma ligação espiritual muito grande. É completo, envolve dança, emoção, adrenalina, e tudo isso juntou com a minha hiperatividade da época. Foi um casamento perfeito
Por muito tempo você se apresentou nas casas de shows de Juiz de Fora. Como você avalia a estrutura desses locais e a cena musical de JF?
Estamos vivendo em uma época bastante perigosa e preocupante. Tivemos uma grande queda no mercado fonográfico, no geral (qualidade musical, novas bandas, casa de shows, cachê, etc), não apenas na cidade, mas no país. Um assunto vasto demais, que envolve vários fatores. Fico bastante chateado, pois Juiz de Fora é um grande berço da música nacional, com grandes talentos, excelentes músicos e compositores, muito superior à média, que muitas vezes não conseguem expor ou dar continuidade e propagar suas riquezas. Uma grande e eterna luta.
Como é tocar com Gabriel, O Pensador?
Sem duvida é uma gratificação enorme poder acompanhar e ver o poder da música feita com o coração. Música de Verdade! Pioneiro do Rap no Brasil e marco da minha e de várias gerações. Sem mais! Respeito total!
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Recentemente vocês tocaram na Europa. Como foi se apresentar para um público estrangeiro?
Gabriel tem um trabalho muito bonito na Europa. Poder levar um pouco da cultura Brasileira em forma de música e enxergar o quão importante é a arte não tem preço! A linguagem é universal, sem distinção de cor, raça, idade, gênero, etc. O poder da musica é gigantesco, sempre vai ser!
Apesar de serem divertidas, as músicas do Gabriel também possuem contextos políticos e sociais importantes e reflexivos. No contexto atual do país, é importante que artistas desse porte divulguem cada vez mais mensagens desse tipo?
Não só acho que é importante, mas sim a solução de muitos problemas. A música sempre fez parte da história humana e foi usada para retratar diversos fatos sociais, culturais e políticos de nosso país, em especial da Era Vargas. A música é um fator essencial para levar os acontecimentos, opiniões e protestos a seus ouvintes, já que a mesma possui um grande poder de atrair e influenciar, sendo ela também porta voz dos movimentos nas questões ideológicas.
Acompanhando a situação política do Brasil, é melhor acender o cachimbo da paz, ir para o mundo da Lua ou não ter nádegas a declarar?
Acender o cachimbo no mundo da Lua e não ter nádegas a declarar a ninguém, sem dúvida!
Qual é o seu baterista favorito?
Sempre me inspirei, ou melhor, tentei me inspirar no Carter Beauford (Dave Matthews band). Como o reggae sempre foi a música da minha alma, Carlton Barrett (Bob Marley) foi, é e sempre será uma grande escola. Jamais esquecendo do grande mestre brasileiro Carlos Bala (Djavan).
Quem é seu grande ídolo musical?
De uma maneira geral, sem dúvidas, Robert Nesta Marley, vulgo Bob Marley. Foi muito além de um cantor e compositor. Propagou ideias filosóficas que pregavam a paz, irmandade, igualdade social, libertação, resistência, liberdade e o amor universal ao mundo. Mensagens de paz em tempos de guerra. Música da alma e do coração! Um grande exemplo para mim, não só na música, mas na vida.
Qual é a música da sua vida?
Todas as músicas que surgem do coração, que sejam verdadeiras, independentemente do gênero. Mas deixo aqui duas grandes trilhas sonoras da minha vida: Pai, do Fabio Junior, e Obrigada, da Alcione.
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