Músicas que voltaram a ter sucesso nas vozes de outros artistas

23 nov | 9 minutos de leitura

 

Existem artistas que são grandes cantores, no entanto, não fazem sucesso. Outros possuem grandes composições, porém não cantam lá muito bem. Há ainda aqueles que querem prestar homenagens às suas bandas favoritas e lançam uma versão do single favorito, e em muitas dessas homenagens o resultado é arrebatador.

É esse o tema do Tá Bombando desta semana! Listamos algumas músicas que foram gravadas anos depois e se tornaram canções de destaque nas carreiras das bandas e artistas que idealizaram as novas roupagens.

 

“Vamos Fugir” – Skank (originalmente por Gilberto Gil)

Os meninos do Skank já faziam sucesso no Brasil há um bom tempo quando regravaram esta versão. Lançado em 2004, o álbum Radiola contava com hits, como “Vou Deixar” e “Dois Rios”. Mas foi a versão de “Vamos Fugir“, composta Gilberto Gil e lançada originalmente 20 anos antes, em 1984, que se tornou um dos maiores sucessos do grupo. A banda acrescentou uma pegada mais pop rock ao reggae da versão original.

 

“Dê Um Rolê” – Pitty (originalmente por Novos Baianos)

Pitty manda muito bem quando o assunto é regravar canções. Foi o que aconteceu com “Dê Um Rolê“, música lançada como single pelo grupo Novos Baianos em 1971. Na versão da baiana, há um tom mais pesado do que na original, com a presença de guitarras distorcidas. A faixa ganhou mais visibilidade, na voz de Pitty, ao servir como tema de abertura para a novela “Rock Story”, exibida pela Rede Globo entre 2016 e 2017.

 

É Preciso Saber Viver” – Titãs (originalmente por Roberto e Erasmo Carlos)

Roberto e Erasmo Carlos são basicamente o “Batman e Robin” da música brasileira. Com uma carreira de hits e várias composições, uma se destacou: “É Preciso Saber Viver“. O próprio Roberto gravou a canção, em seu álbum de 1974. A versão do Titãs veio em bom tempo, explodindo nas rádios em 1998 com seu som orquestrado e seus solos de guitarra. A faixa integraria o álbum Volume Dois, e, sendo lançada como single, ganhou até um belo videoclipe.

Bônus : Uma curiosidade sobre a canção é que ela foi baseada em “It’s Over“, canção de Jimmi Rodgers que ficou famosa na voz de Elvis Presley em 1973.

 

“Amor, Meu Grande Amor” – Barão Vermelho (originalmente por Angela Rô Rô)

Barão Vermelho lançou em 1996 o disco Álbum, décimo do grupo. O projeto, no entanto, não contava com músicas novas ou versões atualizadas de canções já lançadas, era restrito a 11 covers. Os artistas homenageados vão desde Cazuza até Luiz Melodia. Uma dessas versões é do maior sucesso da cantora de MPB Ângela Rô Rô, a romântica “Amor, Meu Grande Amor“. A canção foi lançada originalmente em 1979 e a voz de Frejat deu uma nova roupagem à música que, com sua linguagem atemporal, continuou atual mesmo após quase 20 anos.

 

“Por Enquanto” – Cássia Eller (originalmente por Legião Urbana)

As letras de Renato Russo o levaram ao status de poeta. Misturando críticas ao sistema com letras românticas e reflexivas, o álbum de 1985 alavancou a carreira do grupo. No entanto, sucessos comerciais como “Geração Coca-Cola“, “Será” e “Ainda É Cedo” talvez tenham ofuscado outra canção, “Por Enquanto“. O potencial dessa incrível letra e melodia seria comprovado pela cantora Cássia Eller. Uma versão acústica dessa canção na voz da cantora, em 1990, faria parte do disco de estreia de Cássia. Sua voz imortalizou os versos da música.

“As Dores do Mundo” – Jota Quest (originalmente por Hyldon)

Jota Quest foi um fenômeno absoluto na música pop brasileira. Em 1996, o grupo lançou seu primeiro álbum de estúdio e que contém uma regravação de “As Dores do Mundo“, faixa do compositor baiano Hyldon lançada em 1975. Foi uma das canções mais pedidas nas rádios durante aquele ano. A releitura da banda conta com um ritmo mais funk, com mais swing. Se colocar lado a lado com a delicada versão original, mal se percebe que são a mesma música!

 

“Eva” – Banda Eva (originalmente por Rádio Taxi)

Se você pensava que “Eva“, hit atemporal de carnaval, pertencia ao grupo de mesmo nome, você se enganou. Na verdade, a versão original pertence ao grupo de pop rock Rádio Taxi. Foi lançada em 1983, em seu segundo álbum de estúdio. A versão axé que ganharia o país veio em 1997, com o lançamento do primeiro álbum ao vivo da Banda Eva, grupo de onde surgiram nomes como Ivete Sangalo e Saulo Fernandes.

 

“Vapor Barato” – O Rappa (originalmente por Gal Costa)

O ano era 1971. Gal Costa lançaria uma das músicas mais importantes de sua carreira. Composta por Jards Macalé e Waly Salomão, “Vapor Barato” seria uma das canções nacionais mais famosas da década. 25 anos depois, a música surge novamente nas rádios brasileiras. Os culpados por isso? A banda carioca O Rappa. Com direito a clipe, a regravação conta com uma roupagem típica do grupo, mesclando regggae, rock e hip-hop. É interessante comparar com a original, que tem um clima bem mais “para baixo”.

“Vida Louca Vida” – Cazuza (originalmente por Lobão)

Cazuza foi de fato um dos maiores compositores da música brasileira. E isso fica evidente não apenas na sua passagem pelo Barão Vermelho, como também em sua carreira solo. Seu quarto álbum solo, O Tempo Não Pára, é uma prova disso. Sendo o último registro ao vivo do cantor, o álbum, gravado no Rio de Janeiro em 1988, conta com sucessos que ficaram marcados. Mas também inclui uma música que não fazia parte de seu repertório até então: “Vida Louca Vida”.

Originalmente lançada, em 1987, pelo cantor Lobão, a música se tornou o maior sucesso do trabalho de ambos cantores.

https://youtu.be/i4EIMk5WcHg

 

“Maracatu Atômico” – Nação Zumbi (originalmente por Nelson Jacobina e Jorge Mautner)

Muitos podem não conhecer, mas Jorge Mautner passou confiança para muitos nomes da nossa música. Caetano Veloso, Gal Costa e Lulu Santos já regravaram músicas lançadas originalmente por ele. Em 1974, no mesmo ano em que lançou “Maracatu Atômico”, parceria com Nelson Jacobina, a música ganhou uma versão na voz do grande Gilberto Gil. Em 1996, todos os elementos citados pela letra caíram em uma batida animada e em uma linha de baixo inesquecível. Assim ficou a versão de Chico Science & Nação Zumbi.

 

“Dia Especial” – Tiago Iorc (originalmente por Cidadão Quem)

Tiago Iorc mistura MPB com folk de uma maneira interessante em suas músicas. Mas ele não nega que tem influência em grandes nomes do rock nacional. Além de ter bem representado Renato Russo com uma nova versão de “Tempo Perdido“, para a série “Os Dias Eram Assim”, da Globo, ele também já provou gostar da banda gaúcha Cidadão Quem. A música regravada, “Dia Especial“, é a segunda faixa do álbum Spermatozoon, lançado em 1998. Tiago incorporou a canção ao repertório da turnê do álbum, Troco Likes e ainda a lançou como single.

“Sozinho” – Caetano Veloso (originalmente por Peninha)

Caetano Veloso é um ícone! Mas não foi ele quem escreveu uma de suas mais belas canções. Peninha é o nome por trás de “Sozinho“.

Antes mesmo de Caetano, Sandra de Sá já havia levado a canção para as rádios em 1996. A versão de Caetano deu as caras pela primeira vez no álbum ao vivo Prenda Minha, lançado em 1998. O trabalho também inclui covers de Jorge Ben Jor e de Chico Buarque, mas foi a composição de Peninha que fez com que o álbum se tornasse o maior sucesso comercial do cantor.

 

“Primeiros Erros” – Capital Inicial (originalmente por Kiko Zambianchi)

Kiko Zambianchi é o responsável pela composição da música “Primeiros Erros”. A canção apareceu pela primeira vez no álbum Choque, lançado em 1985. Mas o caminho foi mais longo do que parece. Em Choque, Kiko conseguiu alguma visibilidade, especialmente em suas parcerias com Lulu Santos e Marina Lima, mas a faixa “Primeiros Erros” foi jogada para escanteio.

A banda Capital Inicial entra nessa história exatamente 15 anos depois do lançamento. Kiko foi convidado ilustre no Acústico MTV da banda, onde a canção foi inserida na setlist. A partir daí, a música, na voz de Dinho Ouro Preto, se tornou uma das mais conhecidas canções do grupo.

 

“Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” – Kid Abelha (originalmente por Hyldon)

O baiano Hyldon definitivamente domina a arte de contribuir para o sucesso de outros artistas. A prova disso são os versos da canção “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda“.

A música foi o primeiro sucesso do cantor, e também um dos maiores. Ela, é inclusive título de seu álbum de estreia, lançado um ano após a divulgação da canção em 1974. Mas, passados 22 anos, o grupo Kid Abelha jogaria esta bela música para as rádios novamente.

 

“Proibida Pra Mim” – Zeca Baleiro (originalmente por Charlie Brown Jr.)

Os anos 90 foram um período de experimentações para o rock brasileiro. Os mais diferentes tipos de som surgiriam nessa época, e um dos mais marcantes é definitivamente a banda Charlie Brown Jr. Em 1997, o lançamento do álbum, ”Transpiração Contínua Prolongada”, fez com que a banda ganhasse visibilidade misturando elementos de punk, reggae e de rock alternativo.

Os primeiros singles comprovam isso, e entre eles, temos a canção “Proibida Pra Mim (Grazon)”. O cantor Zeca Baleiro regravou a música em 2000, em seu álbum ”Líricas”. E deu tão certo que a banda elogiou Zeca. E não só isso. Zeca foi convidado pelo próprio Chorão para tocar a música em sua festa de casamento. A justificativa? A noiva preferia a regravação, mais calma e delicada, à versão original.

 

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