Confira entrevista com Aleques Eiterer, organizador do Festival Primeiro Plano, que começa hoje em Juiz de Fora

05 nov | 5 minutos de leitura

O cinema ganhando o destaque merecido

O Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades, começa hoje, dia 05 e vai até o próximo sábado, dia 10. O evento, que busca incentivar e dar visibilidade a diretores estreantes da região e da América do Sul, tem se tornado uma data marcante para o calendário cultural da cidade.

Ao longo dos seis dias do festival, os amantes do cinema contam com uma programação voltada para o aprendizado e compartilhamento de experiências. Oficinas, Mostras Competitivas Regional e Mercocidades, debates, Sessão Lanterninha, estreia de longas, Cinema na Praça, Encontro de coprodução na América Latina e Mostra Audiovisual de Juiz de Fora fazem parte da programação do Festival.

Para o diretor do melhor filme da Mostra Competitiva Regional, o prêmio é de R$ 9 mil, pacotes de serviço de sonorização e equipamentos, coloração e finalização, tudo isso para ele realizar uma nova produção.

Para os amantes do cinema, esse evento é quase obrigatório. Um dos destaques dessa edição é que diversas exibições serão feitas no Teatro Paschoal Carlos Magno.

Equipe do Festival Primeiro Plano em 2017.

Conheça um dos nomes responsáveis pelo Festival

Aleques Eiterer, Coordenador Geral do Festival, e Marília Lima, Coordenadora de Mídia e Produção Gráfica.

Aleques Eiterer, é juiz-forano, cineasta, roteirista, produtor executivo e coordenador do Festival Primeiro Plano. O portfólio do cineasta é extenso: O Livro (1999), O Vestido Dourado (2000), Verdade ou Conseqüência (2002), Ausência (2004), A Demolição (2007) e Abismo (2011), Araca – O Samba Em Pessoa (2014) e Um pouco a mais (2015). 

Além de coordenar o Primeiro Plano, o cineasta também organiza o Festival Brasileiro de Cinema Universitário, o CineclubeLGBT e diversas outras Mostras de Cinema, principalmente na Caixa Cultural e no Centro Cultural Banco do Brasil.

Formado em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o primeiro contato de Aleques com o cinema e audiovisual foi dentro da própria faculdade. “Comecei a trabalhar como voluntário no Festival Brasileiro de Cinema Universitário e como assistente de produção dos curtas que eram produzidos dentro da Universidade. O primeiro curta que participei foi “O Metro Quadrado”, de Flavia Candida“, conta.

Aleques Eiterer – Cineasta

Aleques destaca que o Festival possui grande importância para a cidade e estudantes, já que possibilita uma enorme troca de experiências. “Eu sempre comento que para eu ter contato com o cinema, tive que sair de Juiz de Fora, pois na época que queria estudar audiovisual, começo dos anos 90, aqui na cidade não tinha quase nada, nem eventos, nem cursos. Uma das ideias de criar o Primeiro Plano foi justamente essa, proporcionar às pessoas da cidade esse contato com o cinema, seja assistindo filmes, exibindo seus trabalhos e/ ou participando das oficinas e debates. É o momento das pessoas exibirem seus filmes e conhecerem profissionais do Brasil e de outros países da América do Sul”, conta o coordenador.

Cineasta marcando presença no Painel Setorial dos Festivais de Audiovisual no Festival de Brasília.

A produção nunca para

Como coordenador do Festival, Aleques conta que a produção do evento funciona como um ciclo. “Eu sempre comparo o Festival Primeiro Plano ao Carnaval, acabou uma edição e já começamos a pensar na próxima. Infelizmente falta uma política voltada para eventos de continuidade. Sempre que terminamos um ano, recomeçamos do zero, pois em geral não temos nenhuma garantia de que o próximo irá acontecer. Uma parte da equipe fica envolvida praticamente o ano todo, buscando formas de financiar o próximo e prestando contas do último evento” explica Aleques.

Festival Primeiro Plano 2017

O cinema mudou, para melhor

O coordenador do Festival destaca que, no primeiro curta como diretor e produtor, o trabalho demorou dois anos para ficar pronto. “O Livro” começou a ser filmado em 1998 e possuía livre iniciativa. Foi realizado com o suporte da UFF e filmado em 16mm. A equipe era formada por amigos do curso de cinema e finalizamos o trabalho na cidade de Maricá, no Rio de Janeiro, em 2000. O último foi “Um Pouco a Mais”, baseado em um conto do escritor Luiz Ruffato, filmado em digital, que também demorou dois anos para conclusão, 2013 a 2015. Foi feito em Juiz de Fora e ganhou a Lei Murilo Mendes”, conta Aleques.

Sobre a formação, o cineasta destaca a importância de cursar uma faculdade. “Curiosamente o curso de cinema reflete muito o mercado. É uma preparação muito importante, pois você passa por diversas dificuldades que não diferem muito da vida profissional e te dão muito preparo para enfrentar as adversidades que enfrentará no futuro , sejam elas quais forem“, conta.

Aleques participando do “Encontro sobre Produção em Cinema com Acessibilidade Comunicacional” realizada na Câmara Municipal.

Se conselho fosse bom…

Perguntamos a Aleques algumas dicas para quem quer inscrever um trabalho no Primeiro Plano (coisa que você pode fazer na próxima edição, viu?!). Ele responde: “Mais do que a parte técnica, nós levamos muito em conta a criatividade na proposta, na linguagem e na narrativa dos filmes“.

E se você possui interesse em seguir carreira no cinema, se liga nas dicas do cineasta: “Acho muito válido fazer uma faculdade de cinema ou audiovisual, pois mesmo os cursos possuindo qualidades e defeitos, ali, além da formação, você vai encontrar algumas possibilidades de produção e conhecer pessoas com as mesmas afinidades que você. Mas claro, se não for possível, reúna seus amigos, produza da forma que puder e tente ir se embrenhando nos meios que estão ao alcance”, conta.

Júri de 2012 reunido no Cine Alameda, com presença da atriz Andreia Horta.

Prestigie o Festival Primeiro Plano

O evento começa hoje, às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno. Vão ser apresentados os trabalhos: Para atravessar contigo o deserto do mundo, de Natália Reis (14 min) e Os Jovens Baumann, de Bruna Carvalho Almeida (77 min).

Você pode conferir a programação completa no SITE do Festival, no Instagram do evento ou na página do Facebook

 

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