“O amor é o combustível de qualquer artista”, diz juiz-forano que faz esculturas com LEGO

30 mar | 6 minutos de leitura

Conheça o trabalho de Adolfo Freitas

Hobbies são atividades praticadas por prazer nos tempos livres. Ir ao cinema, jogar videogames, praticar esportes e fazer artesanatos são algumas das opções de hobby mais comuns. Adolfo Freitas, entretanto, gosta de construir esculturas. E o melhor: com LEGO. Coordenador de hotelaria da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Adolfo aproveita o tempo livre para fazer réplicas e expô-las em feiras temáticas e shoppings.

A coleção já tem mais de 100 mil peças, e Adolfo já fez réplicas de grandes monumentos, como a Pirâmide de Gizé, a Estação Ferroviária de São João del-Rei e o Castelo alemão de Neuschwanstein. Batemos um papo bem legal com o artista do LEGO para saber mais sobre essa atividade tão bonita e peculiar. Confira abaixo:

 

Como começou sua paixão pelos LEGOS?

Eu coleciono LEGO desde criança, então lá se vão quase 40 anos. No início era apenas uma simples brincadeira. Passei um tempo sem eu construir nada durante a adolescência porque eu era ferromodelista e me interessava mais por trens e também por esportes. Só no início da fase adulta retornei minhas atenções para o brinquedo e o enxerguei como hobby, como ele é hoje, valorizando todo o seu potencial lúdico e artístico.

 

Qual foi a réplica mais difícil que você já construiu?

O hobby tem aprimorado minhas técnicas a cada nova construção, então a mais difícil sempre acho que é a última. A reprodução da Pirâmide de Gizé com sua Esfinge me consumiu dois anos de planejamento de peças e construção para chegar ao resultado final. Ninguém acreditava que eu fosse concluir, mas o retorno que eu estou tendo com a exposição da obra já justificou todo meu esforço para compartilhar a beleza dessa civilização tão icônica que o mundo já abrigou.

 

Quantas peças de LEGO você possui?

Atualmente possuo mais de 100 mil peças. Isso pode parecer muito para o público de uma forma geral, mas para um escultor de LEGO 1 milhão seria pouco.

 

Quais os lugares mais interessantes para expor uma escultura de LEGO?

Geralmente locais de fácil acesso às pessoas, de uma forma geral, são os mais recomendados. O que vejo acontecer mundo afora são exposições em museus, hotéis, shoppings, escolas e universidades, empresas, galerias de arte ou até mesmo ao ar livre. Vai depender do tamanho da obra e do seu objetivo.

Réplica da Estação Ferroviária de São João del-Rei.

Seu trabalho com os LEGOS tem sido muito divulgado na internet. Porém, você acredita que ele é valorizado da forma como merece?

Hoje em dia as redes sociais são capazes de difundir assuntos e fotos numa velocidade e abrangência que nos assusta, mas não acho que elas sejam capazes de substituir a experiência pessoal de prestigiar uma exposição de arte in loco. O impacto visual que uma escultura causa é enorme, e no caso do LEGO é maior ainda, porque os detalhes chegam aos mínimos espaços e na menor das peças. Creio que familiares, amigos e colegas de trabalho valorizam, incentivam e reconhecem meu trabalho e o de muitos outros artistas mundo digital afora, mas ter um espaço para apreciar arte em forma de peças, que é o que o LEGO proporciona, creio que ainda não. Eu participo de exposições anuais sobre LEGO em São Paulo organizadas pelo LUG Brasil (grupo de fãs do hobby) e costumo ser convidado pelo mesmo grupo e seus parceiros para participar de algumas exposições em shoppings da capital paulista. Porém isso ainda é longe do ideal que as esculturas merecem. Portanto, considero que trabalhar com arte no Brasil, de uma forma geral, e ter acesso a espaços que ofereçam segurança e visibilidade para exposição de obras com LEGO ainda seja um dificultador.

 

É difícil conciliar o trabalho na Santa Casa com a vida de artista?

Pelo contrário. Defendo que qualquer hobby é capaz de contribuir com a saúde mental do trabalhador, independentemente do cargo ou da função que ele ocupe e da empresa que ele trabalhe. No caso da área da saúde isso se torna mais importante ainda, uma vez que humanização e qualidade está, no meu ponto de vista, intrinsecamente ligado a equilíbrio emocional e gestão do tempo. Atualmente eu contribuo com a instituição gerenciando cinco setores. São muitos colaboradores e uma grande oportunidade de aprendizado e expansão de uma visão de mundo holística. É simplesmente impossível trabalhar nesse contexto e num século em que a sociedade ainda está aprendendo a conviver com si própria e todas as modernidades que a tecnologia possa oferecer sem possuir uma vida saudável e uma mente equilibrada capaz de criar soluções aos problemas que vivemos todos os dias. Prova disso é meu futuro projeto de escultura com LEGO, que já está em fase de desenvolvimento, que retratará o antigo prédio do hospital no seu auge arquitetônico, edificação que infelizmente não existe mais, mas que será revivida em uma releitura totalmente diferente e inédita na cidade.

Réplicas da Grande Pirâmide de Gizé e da Esfinge.

Muita gente brinca que LEGO poderia ser um elemento de tortura, já que pisar em uma das peças pode ser algo bem doloroso. Você passa muito por esse problema?

Eu não, mas todos que vão a minha casa passam! Já tomei chinelada por isso (risos). Faz parte, não tem jeito. Algumas peças são muito pequenas e afiadas como uma faca, por isso até existe recomendação de idade para o uso dos brinquedos vendidos nas lojas. Já foi pior porque antigamente não havia ferramenta fabricada pela LEGO que ajudasse no desencaixe das peças, fazendo com que muitos dentes sofressem por aí. Hoje já se possui uma peça específica para essa função e o perigo deixou de existir. Mas as pisadas…

 

Existe uma construção específica que você gostaria muito de reproduzir em LEGO?

Eu sou apaixonado por civilizações antigas, então talvez as construções históricas que já não existam mais ou que estejam em ruínas sejam sempre meu foco. Embora tenham outros temas dentro do universo LEGO que eu gostaria de trabalhar melhor, como robótica, exploração espacial e astronomia, minha outra paixão, creio que se eu tivesse peças, muitas peças, mas muitas mesmo, eu construiria o Colosso de Rodes. Acho essa maravilha do mundo antigo absolutamente fantástica, e deve ser muito impactante ver ao vivo uma obra dessas, mesmo que não em tamanho real, claro.

 

Pode-se dizer que LEGO é a sua grande paixão?

Viajar é a minha maior paixão. O hobby entraria como consequência da experiência da viagem. Exemplo disso foi uma viagem recente que fiz ao Peru, um país riquíssimo em história, belezas naturais linas e morada dos incríveis Incas. Voltei de lá ainda mais apaixonado por essa civilização, inspiradíssimo e com tudo pronto na cabeça para construir algo desse tema. Só ainda não fiz porque tenho projetos mais oportunos para serem feitos antes, mas pode ter certeza que farei. Então se limitar a uma só paixão é fechar os olhos para toda a beleza e história que está a sua volta só esperando para ser explorado por você. Afinal, o amor, no mais amplo sentido da palavra, é o combustível de qualquer artista.

Castelo de Neuschwanstein.

Quer conferir outras fotos das réplicas de LEGO feitas por Adolfo Freitas? Então acesse o perfil dele no Flickr e fique ainda mais encantado com esse trabalho incrível!