Conheça o idealizador do programa Vou de Skate: uma viagem de skate motorizado pelo mundo

29 out | 8 minutos de leitura

Profissional de Marketing pretende dar a volta ao mundo de skate

André Martins e seu maior amigo vão dar a volta ao mundo. O Skate motorizado é o companheiro de viagem e veículo que leva André aos destinos escolhidos. Já rodaram mais de 700Km e a meta é chegar a Tóquio, Japão, para André representar o skate, que pela primeira vez é modalidade nos Jogos Olímpicos.

André é carioca, formado em Marketing e trabalhou na Petrobrás como vídeomaker, desenvolvendo roteiros de vídeos institucionais e educacionais da empresa. Foi lá que ele ganhou toda experiência na parte de criação, produção, desenvolvimento e acabamento final dos vídeos.

O Projeto Vou de Skate tem o objetivo de mostrar, compartilhar e identificar o que o mundo tem para ser mostrado. Cultura, paisagens, gastronomia, locais para fazer esportes radiciais. André, que é apaixonado por esporte, vai em busca disso tudo, com um skate motorizado e uma câmera.

 

A primeira temporada do Vou de Skate possui sete episódios e chama-se: 7 destinos imperdíveis da América do Sul. Os destinos escolhidos foram: Visconde de Mauá, Capitólio, Serra da Canastra, litoral norte de São Paulo, Patagônia Argentina, Patagônia Chilena, Deserto do Atacama e o último destino ainda está sendo pensado, cuidadosamente, por André. Nessa temporada, o aventureiro focou nos esportes que podem ser praticados nos destinos, já que essa é uma de suas paixões.

 

O projeto ganhou destaque quando André contou sobre o Vou de Skate no Programa Encontro, em agosto desse ano. Falando sobre o projeto e os futuros destinos, citou Fernando de Noronha, e o ator Paulo Vilhena, que é apaixonado pelo local e estava no palco, ofereceu o patrocínio de André para o destino.

Foto: Instagram Vou de Skate

Conversamos com André Martins para entender mais sobre o Projeto Vou de Skate e sobre os futuros destinos. Confira:

 

Como surgiu a vontade de largar tudo e ir em buscas de seus sonhos?

Às vezes, as oportunidades surgem da crise. Com todo aquele escândalo envolvendo a Petrobrás, a empresa demitiu 33 mil funcionários. Eu não fui demitido, mas minha área foi descontinuada e eu teria que trabalhar em um projeto que não tinha relação com o que eu gostava de fazer. Resolvi sair e me dar um tempo para pensar e ver o que eu queria. Essa pausa, às vezes, é muito importante.

Eu estava próximo dos 40 anos de idade e, quando saí, tinha um pensamento: eu precisava e queria fazer algo que unisse todas as minhas paixões. Queria algo que fosse bacana, relevante, marcante na minha vida. Então uni paixões: vídeos, vontade de viajar, de estar em contato com culturas, esporte e skate.

O Vou de Skate veio dessa inspiração, de tudo que eu poderia oferecer para o mundo para que eu pudesse deixar e levar uma mensagem bacana para o mundo. Tem uma frase de Aristóteles que diz: “Onde meus talentos e paixões encontram as necessidades do mundo, lá está o meu lugar” e eu me baseei nisso.

 

Por que resolveu fazer a viagem de skate?

Eu queria fazer algo diferente, fora da caixinha. Esse skate é motorizado, tem 50cc, dá para fazer longas distâncias com ele, pois é ágil, consigo andar em qualquer terreno e eu não queria ser um apresentador de canal de viajem com uma câmera e um microfone. Eu quis me dar o luxo de fazer algo diferente. Na cidade, por exemplo, eu faço tudo de skate. Vou atrás das aventuras e em buscar de matérias para fazer. Eu uso o skate como fio condutor de histórias.

Foto: Instagram Vou de Skate

Como é a sua estrutura durante as viagens?

Tenho um carro de apoio que é dirigido pela minha querida parceira e esposa, Márcia Lage. Combino com ela um local para me encontrar. Ou seja: traço rotas e o carro de apoio me pega no final da rota. Tenho equipamentos de primeiros socorros então, se acontecer alguma coisa, mesmo se eu estiver no meio do Deserto do Atacama que não tem conexão nenhuma – como aconteceu, via GPS eu consigo informar minha localização e o carro de apoio consegue me encontrar.

 

Qual foi o primeiro destino escolhido para a viagem e qual o motivo?

O primeiro destino foi em julho de 2017 e escolhi Visconde de Mauá. Lá é um lugar que eu amo e o motivo foi esse, paixão. Eu frequento a cidade há 20 anos e é um dos lugares mais irados que conheço. Dá para fazer diversos esportes e possui mais de 50 cachoeiras. Possui muitas coisas interessantes para fazer, entre passeios e gastronomia.

Seria um ótimo destino para aprimorar o roteiro. Eu precisei fazer três roteiros para chegar até o modelo atual do Vou de Skate. Fui ajustando da forma como achava melhor. Só quando eu tive um roteiro prático na mão para fazer com outras cidades, eu sai de Visconde.

https://www.youtube.com/watch?v=qFX_hIqB4I8

 

Qual o destino que mais te encantou no Brasil? E fora dele?

Os Canyon´s de Capitólio e a Serra da Canastra são maravilhosos! Na Serra da Canastra tem a Cachoeira Casca d’Anta, que é a terceira maior cachoeira do Brasil que é fantástica, tem o parque e os chapadões.

Canyon de Capitólio. Foto: Vou de Skate

Cachoeira da Casca D´anta. Foto: Vou de Skate

E fora do Brasil?

A Patagônia Chilena e Argentina. O deserto do Atacama também tem uns lugares irados. Mas se eu tivesse que escolher um, escolheria a ponta da Patagônia Argentina, já chegando na Chilena, no encontro das duas, perto dos glaciais de Perito Moreno.

A Carretera Austral também é bacana, que é estrada mais exótica do mundo, e eu fiz de skate. Passei por cima de neve, neve batida, neve dos dois lados da estrada. Muito lindo.

Glaciais de Perito Moreno. Foto: Instagram Vou de Skate

Conta um pouco mais sobre o skate.

O skate é da marca DropBoards e é a empresa brasileira que mais vende veículos elétricos para mobilidade urbana. Ela vende tanto veículos elétricos, como movidos a gasolina. O meu é a gasolina, porque com o elétrico eu correria riscos da bateria acabar no meio do caminho e ficar na estrada. O meu skate faz, com 1 litro, 40 km e eu ainda levo na minha bagagem gasolina extra.

O skate é muito robusto, tem motor de 50cc e rodas grandes. Você vai ver que daqui a alguns anos, vai ter uma explosão de mobilidade urbana, as pessoas vão começar a buscar veículos alternativos, movidos, principalmente, a eletricidade. Então, o Vou de Skate é um projeto que serve para inspirar pessoas a buscarem meios de locomoção mais sustentáveis. Se se eu posso viajar de skate, você pode ir na padaria com um patinete elétrico. Deixe o carro na garagem e comece a experimentar novas formas de locomoção, pois o mundo carece disso.

Foto: Instagram Vou de Skate

Qual é a sua bagagem durante as viagens?

Na Patagônia, por exemplo, eu percorria grandes distâncias e não conseguia chegar no carro de apoio no mesmo dia. Então eu ia preparado. Levava um fogareiro, uma barraca de camping, comida (barra de chocolate, barra de proteína, enlatados), frutas, câmeras, drone e gasolina extra.

Se o cansaço batia, eu conseguia parar em algum lugar, armar a barraca, e conseguia comer e descansar. Mas, em algumas ocasiões, conseguia negociar hospedagem em alguma casa ou pousada.

 

Como é o orçamento para as viagens? Você conta com ajuda de algum patrocinador?

Eu tenho uma produtora de vídeos, chamada SkateDoor. Faço trabalhos, como vídeos institucionais e fotos, principalmente para a área turística e agora para empresas. E na produtora, eu tenho uma pequena agência de gerenciamento de redes sociais.

A primeira temporada do Vou de Skate foi bancada por mim e enquanto eu estava nas cidades, eu fazia trabalhos e permutas com comércios da região.

Depois que fui no Programa Encontro, o fabricante do meu skate está desenvolvendo uma parceira/patrocínio comigo. Mas estou em busca de outros patrocínios que estejam ligados a sustentabilidade ou mobilidade sustentável.

Foto: Instagram Vou de Skate

Já tem próximas viagens a caminho?

A segunda temporada será chamada de: os 7 destinos culturais do Brasil e vai incluir cidades como Ouro Preto, São Luiz do Maranhão e Olinda. Agora o foco é cultura. O objetivo agora é que o projeto se transforme em um guia de Skate. Acredito que vou terminar essa fase e já começar a planejar a pré-produção da minha ida para Tóquio, da Volta ao Mundo, então vou fechar a América do Sul e partir para outros continentes, até chegar ao Japão.

 

Qual a sua dica para quem tem vontade de viajar o mundo?

A pessoa precisa ser desprendida de materialismo, tem que querer viver. Não existe uma receita de sucesso, de dinheiro, ela tem que estar abdicando do conforto, luxo e apego material. Se ela conseguir abdicar disso, os caminhos vão se abrir. Acho que se ela puder unir paixões, assim como eu fiz, é possível ir longe. Tudo o que você vai fazer na sua vida, você precisa se perguntar se existe um coração nisso. Se a resposta for positiva, pode ir, pois a chance de dar certo é bem grande.

Foto: Instagram Vou de Skate

Saiba mais informações pelo site do Vou de Skate, acompanhe os passos de André pelo Instagram @VouDeSkate e assista aos episódios no canal do YouTube “Programa Vou de Skate“.

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